LIVRO: SOB PÁLIDA PELE DE MARIANA PRADO



Quer aproveitar seu tempo livre e colocar a leitura em dia, mas não sabe qual livro ler? Esse post foi feito especialmente pra você! O livro Sob Pálida Pele de Mariana Prado é uma excelente opção.Ela tem um blog e vale muito a pena passar por la. Vamos conferir um prologo dele;

Livro
SOB PÁLIDA PELE

PRÓLOGO

(...) – Então você só quis meu corpo, todo esse tempo? – Lamentou Lara com a voz baixa, amarrada sem cordas àquela imensa mesa de madeira da cozinha do castelo, nua, de braços e pernas abertos. Seus olhos marejados fitavam sem ver o madeiramento do telhado, muito bem polido e envernizado, as paredes amarelas e as panelas penduradas em uma haste sobre si. Pensou nos momentos, em como viera até ali, seu coração não palpitava ou sentia algo que não fosse amor ou reverência, além de um medo aterrorizante, amava aquela mulher, mesmo estando diante dela em seu leito de morte provocado, não conseguia obter outro sentimento, amava sua alma, seu corpo, amou cada momento que passaram juntas e tudo o que aprendera ao longo desse tempo, sentia uma dor aguda pela traição, por tudo, jamais estivera ao seu lado, era um objeto, um receptáculo, apenas isso.
Charlotte tinha uma expressão sofrida, coberta somente por aquela túnica vermelha pesada que às vezes usava, seus belos olhos verdes estavam cercados de um vermelho que não lhes fazia jus,
lágrimas espessas e ininterruptas rolavam por sua face branca, a maquiagem borrada, “a perfeita bruxa” pensou Lara e ela sofria, no entanto não abria mão de seu desejo.
Lara viu à porta novamente a imagem de Sophie Anne de Seville, aquela que aguardara por tantos séculos para ser revivida, seu espírito tinha uma tonalidade ainda mais branca que o convencional, quase viva, seus cabelos flutuavam como se estivessem dentro d’água, ela sorria, desta vez bela, seu vestido também tremeluzia, bruxuleando com o vento que entrava e açoitava o rosto da garota, Lara pensou apenas que ela merecia uma nova vida, fechou os olhos, também aos prantos enquanto Charlotte (esse era seu nome realmente) recitava uma oração com os braços erguidos e um punhal na mão.
__ Wo seer, senhor dos mortos, Hades, senhor do submundo, permita que a alma errante de Sophie Anne de Seville, minha irmã, entre... – E em outro idioma que Lara desconhecia, repetiu. – Wo seer, Dia Osiris, tigherna na, Hades marbh, Tiarna na underworld, a ligean anam errant de Sophie Anne de Sevilla, mo dheirfiúr, le do thoil .... Minha Deusa amada, permita, senhor chifrudo permita...
A bruxa traçou uma linha reta na pele da garota com o punhal, ferindo sua carne, desde a borda de seus belos olhos azuis, descendo por sua face, pescoço, seio, barriga, passando pela perna,
terminando no pé, o sangue escorria em pequenas linhas por sua pele tão alva. O ritual estava diferente do qual Lara leu, Charlotte queria se garantir. As panelas começaram a bater, os movéis a ranger e tudo parecia o caos, tremendo e chacoalhando enquanto a imagem de Sophie se tornava mais visível, mais palpável, aparentemente forte, Lara sentia seu corpo estremecer junto com o resto da mobília, ao mesmo tempo que sua boca secava e seus ossos reverberavam sob
sua carne, sentia uma pressão na cabeça e nos ouvidos como um zumbido muito alto.
Quando olhou para frente, o fantasma da bruxa estava suspenso e esvoaçante sobre si a tocando pelos dois lados da cabeça com mãos gélidas, tentando se apoderar de seu corpo, tentando
entrar. Charlotte estava parada ao lado da mesa, semi-nua, seu capuz havia caído, seus cabelos vermelhos revoltos e seu sobretudo estava aberto com a ventania, debatendo-se em seu belo corpo, ela olhava para o alto, de braços abertos, seus olhos flamejavam como duas bolas de fogo e sangue escorria pelos cantos. Lara podia sentir a presença das entidades do mundo inferior, presentes, autorizando a transmigração das almas, esperando receber a de Lara. Pelo que leu, Charlotte havia muito presenteado essas duas criaturas da dor. O ar cheirava a enxofre e a alma de Sophie não era mais visível.
Lara apenas fechou os olhos em oração silenciosa, pedindo ao Deus cristão que sobrevivesse.
(...)

Mariana Prado



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